segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Gratidão


substantivo feminino
1. Reconhecimento (por bem que se nos fez).
2. O ser grato.

É o que genuinamente sinto pelos sites www.vampirestats.com, http://www.adsensewatchdog.com e http://7secretsearch.com por darem ao bloguesito o tráfego que, sem eles, nunca teria (e provavelmente não merecia). Obrigado, thank you e (acho) spassiba.

sábado, 12 de outubro de 2013

Manifestação


(latim manifestatio, -onis)
substantivo feminino
1. Acto de manifestar ou de se manifestar.
2. Expressão, revelação.
3. Demonstração pública dos sentimentos ou ideias dos membros de um partido ou de uma colectividade.
4. Conjunto de pessoas reunidas publicamente para mostrar ou defender determinadas ideias ou posições.

Conhecidos os riscos invocados para impedir a manifestação na Ponte 25 de Abril, falta aconselhar à CGTP as medidas a tomar para que esta se possa realizar:

1) A imprevisibilidade do número de participantes -  Deverá ser cobrada portagem a todos os manifestantes. Para além do controlo de entradas, esta medida permite arrecadar uma verba não despicienda numa altura tão difícil para as contas públicas;

2) O perigo de lançamento de petardos e outros engenhos - Esta é fácil. É só fazer o mesmo tipo de controlo que a PSP utiliza nas provas desportivas, sejam elas maratonas ou jogos de futebol. Poderá eventualmente ser solicitada ajuda à polícia de Boston que já demonstrou a sua eficácia em situações semelhantes;

3) A impossibilidade de assegurar que não estarão presentes grupos infiltrados que podem causar o caos - Há historial de controlo bem sucedido deste tipo de elementos. Não consigo especificar as medidas utilizadas mas não deve ser difícil garantir que imagens como estas nunca mais se repetirão em Portugal;

4) O risco dos manifestantes caírem da ponte - A resposta é óbvia. Basta demonstrar ao governo as poupanças no serviço nacional de saúde, em pensões, reformas, salários e subsídios se, por sorte, alguém abandonar esta vida despesista,  falecendo com estrondo no leito do Tejo;

5) A dificuldade de realizar operações de socorro e evacuação num tabuleiro instável, sem pontos de fuga e enquanto decorre uma marcha lenta - Esta não percebo mas acho que tenho uma solução: Não troquem de tabuleiro. Usem o mesmo que serve os automobilistas nas horas de ponta ou nos dias de praia;

6) O corte de trânsito que pode prejudicar o transporte para os hospitais – Claro que isto só é um problema quando dezenas de milhares de pessoas decide fazer uma marcha lenta de cinco quilómetros. Obviamente o risco é muito menor quando dezenas de milhares de pessoas decide fazer corridas de dezenas de quilómetros para as quais não se prepararam convenientemente. O argumento orçamental usado em 4) também é aplicável;

7) O perigo de electrocussão caso os manifestantes invadam a linha do comboio – Por acaso até acho que indivíduos inundados em suor são melhores condutores eléctricos que os outros mas isso não sossega os peritos em segurança. Não desarmem, CGTP, basta assegurar que no controlo a realizar nas portagens - ver alínea 1) - se exija a exibição de um título de transporte do Metro, condição que garante que o manifestante está habituado a estar perante linhas de alta voltagem sem que isso lhe dê uma vontade irresistível de as abraçar.

Boa manifestação!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ginásio


(latim gymnasium, -ii, local público para exercício físico, escola filosófica)
substantivo masculino
1. Lugar em que se fazem exercícios de ginástica, especialmente a de aparelhos (trapézio, argolas, barra fixa, etc.).
2. Local ou edifício destinado à prática de exercício físico.
3. [Brasil]  Estabelecimento de ensino secundário.

“Ainda hás-de pesar o dobro de mim!”

Foi com esta frase, proferida num tom entre o aviso e a profecia, que Ela comentou os números exibidos pela balança cá de casa no regresso das férias, já difíceis de ver por baixo da meu generoso perímetro abdominal. Tentei sem grande sucesso transformar o meu sorriso amarelo numa expressão confiante mas tudo o que me saiu foi um esgar e um resmungo pouco convincente. 

E claro que fiquei a pensar nisso. Estou mesmo a aproximar-me do dobro do seu peso, o que quer dizer que dois dígitos são quase insuficientes para contar os quilos que carrego sobre os pés. Para ajudar, Ela resolveu inscrever-se num ginásio, facilitando a concretização da maldição que me lançou.

Por isso, decidi inscrever-me também no ginásio, o que me pôs em contacto com uma realidade engraçada que, se não me ajudar a perder algum peso, dá-me pelo menos para escrever qualquer coisa. É que, para além do significado moderno da palavra, um ginásio ainda é uma escola filosófica, em que se apreendem várias lições de vida que passo a partilhar, para quem esteja interessado no tema:


1) Um ginásio tenta recuperar no mais curto espaço de tempo o desconto que “deu” na inscrição do praticante. No meu caso, o PT (todos os instrutores usam este prefixo – v.g. o PT Virgílio, a PT Albertina) tentou vender-me uma avaliação física. Tenho 41 anos, 92 quilos e sou fumador. Será mesmo necessário pagar 20€ a um recém-licenciado do ISEF (ou lá como é que aquilo se chama agora) para me dizer em que condição está o meu físico? Além disso, nenhum PT consegue ser mais eloquente que o profético “hás-de pesar o dobro de mim”.

2) Um ginásio alimenta-se de entusiasmo. Esse entusiasmo é passado aos alunos pelos gritos amplificados do PT que se tentam sobrepor aos gritos da música martelada, já de si sobejamente estridente, e é reforçado (o entusiasmo, bem entendido) por um dá-cá-mais-cinco no fim da aula.

3) Um ginásio tem regras rigorosas, a cumprir como se estivéssemos a lidar com a repartição de finanças. Envolvem tirar uma senha com nunca menos de quinze minutos de antecedência para ir a uma aula, andar sempre com uma toalha para pendurar na máquina de exercício, não trazer para a sala o calçado da rua (“desta passa por ser a primeira vez”) e não cuspir para o chão para não atingir um praticante em dificuldades (está bem, esta é inventada).

4) As endorfinas existem e têm um efeito poderoso sobre o desejo de repetir o exercício físico. Só não descobri ainda se a sua produção é incentivada pelas raparigas que se exercitam nas máquinas elípticas à frente da passadeira onde estive a correr ou se é mesmo só da corrida. Seja como for, já ando a contar os dias que faltam para lá voltar.

Enfim, o ginásio alia a moderna cultura do corpo aos ensinamentos do espírito, dignos dos curricula do antigo gymnasium. Isso e a cara da PT quando lhe perguntei se teriam encontrado um maço de tabaco que perdi, valem cada cêntimo da mensalidade.

sábado, 5 de outubro de 2013

Nacionalizar


verbo transitivo
1. Instituir em nação.
2. Tornar nacional; naturalizar.
3. Aclimar.
verbo pronominal
4. Naturalizar-se.

Gosto desta definição. Não se socorre das conjecturas de natureza político-ideológica sobre a posse dos meios de produção, a luta de classes ou os prós e contras do capitalismo face ao socialismo. É uma definição que, estando limpa dos ruídos que as velhas cassetes sempre acumulam - rebobinem elas para a esquerda ou para a direita –, não foge do fulcro da questão.

Nacionalizar é tornar nacional. É dar a posse de algo a uma nação, ao conjunto de pessoas que partilham um território, uma cultura, uma história e, frequentemente, uma língua.

O antónimo de nacionalizar é privatizar. É uma palavra que tem associada uma aura de eficiência e modernidade: evoca termos como bolsa, OPV, capitalização, índice bolsista e outros que gostamos de repetir, como as crianças fazem quando acabam de aprender uma palavra. Bolsamos como as crianças pequenas.

Infelizmente o antónimo de nacionalizar é eufemístico. Usamo-lo porque o mais correcto “desnacionalizar” nos faria lembrar a verdadeiras consequências de o fazer. Privatizar é, na verdade, tornar não-nacional aquilo que antes o era.

É engraçado medir a distância a que estamos das intenções de quem tomou as decisões de privatizar as grandes empresas públicas, garantindo que os centros de decisão sempre estariam em mãos nacionais. Se eram intenções verdadeiras ou falsas não interessa agora. O facto é que, como agora constatamos com a fusão da PT na Oi ou com as ameaças do Catroga assim que se fala em alterar as tarifas eléctricas, a nossa capacidade, enquanto nação, de decidir sobre sectores essenciais deixa de existir quando os privatizamos.

Privatizar  é deixar que países maiores, mais ricos ou mais poderosos que o nosso tenham o poder de decidir sobre o fornecimento de coisas tão essenciais para a nossa vida quotidiana como as telecomunicações, a electricidade ou, mais cedo que tarde, os correios. Países colossais como o Brasil ou a China que dificilmente seremos capazes de enfrentar (ou de fazer com que os nossos aliados enfrentem) quando estes serviços não estiverem a ser fornecidos de acordo com as nossas necessidades. 

Como diz o Priberam, nacionalizar é instituir em nação. Privatizar é destituir essa nação. É tirar-lhe o poder de decidir sobre si mesma. Até que deixe de o ser.